terça-feira, 16 de agosto de 2011

"O Menino do Pijama Listrado"

Existem vários filmes contando a história da Segunda Guerra Mundial ("Lista de Schindler" - meu favorito -, "Olga", "As últimas horas de Hitler", "O Pianista" e etc.). Porém, "O menino do pijama listrado" se tornou um dos meus favoritos, simplesmente por mostrar o terrível Holocausto pela visão da inocência.


Bruno, um garoto alemão de oito anos e filho super-protegido de um soldado não sabe por que está ocorrendo a Segunda Guerra Mundial, por que seu país está em guerra com quase toda a Europa e muito menos o que é o Holocausto. A única coisa que ele sabe é que foi obrigado a sair de sua casa da cidade para morar em uma enorme construção no campo, em uma cidade do interior da Alemanha. E como todo garoto normal, sente muita falta de seus amigos e de frequentar a escola. Até que um dia, ele descobre que da sua janela pode ver uma espécie de fazenda, onde as pessoas são estranhas e usam pijamas o dia inteiro, tal pijama, que na verdade, é o uniforme que os judeus usavam nos campos de concentração.

Em algum momento do filme em que está totalmente entediado, ele vai até a "fazenda" e conhece Shmuel, um garoto estranho que usa pijama em plena luz do dia, crescendo aí uma amizade proibida entre os dois.

No elenco vemos Asa Butterfield, que faz o papel de Bruno, e que no começo do filme tem uma atuação meio medíocre, mas ao decorrer da história nota-se o trabalho que teve em dar uma dramaticidade real à coisa toda.

Já Jack Scanlon, que encorpora Shmuel, merece um destaque especial na minha opinião. O pequeno garoto judeu de oito anos, nos emociona desde sua primeira cena.


A visão de uma criança como ele, sem dentes, suja, de cabeça raspada e olhar sofredor mas ao mesmo tempo terno e esperançoso, nos faz parar pra pensar no Nazismo pelos olhos das crianças. Ao passar do filme o personagem nos cativa de uma maneira, que simplesmente não da pra chegar ao final sem lamentar que não vamos mais vê-lo.

Ao todo, esse é um drama terno, inocente, quase adorável... E com um toque macabro. O "Menino do Pijama Listrado" tem uma direção extremamente competente, e a fotografia tem que ser levada em consideração do começo ao fim, é só prestar atenção. Aposto que vai te fazer no mínimo fungar da sua poltrona, e querer consolar aqueles pobres meninos vítimas do Nazismo.

Definitivamente é uma pérola de todos os filmes dessa época que já foram feitos, um ângulo totalmente diferente do já visto até então.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Maldito Coração" - JT LeRoy


Primeiro post do Blog e já venho com uma dica.

"Maldito Coração" foi um livro que achei em promoção na última Bienal do Livro em que fui. Normalmente eu sigo a regra de não julgar o livro pela capa, mas a capa desse em especial me chamou a atenção.


Paguei quinze reais em um dos livros mais perturbadores que eu li até hoje.

Temos ali uma história de um menino adotado, que é tirado da casa de seus pais adotivos pela sua mãe prostituta. Ela leva a criança em uma viajem pelas estradas dos Estados Unidos, vendendo-se e vendendo-o. Pesquisei em alguns sites da internet e descobri que existe um filme adaptado, mas ainda não consegui achá-lo - quando ver o filme prometo voltar e contar o que achei.

Como todos sabem as imagens chocam mais que palavras, então deve ser por isso que o filme é considerado ainda mais perturbador que o livro. Até porque no livro conseguimos identificar a inocência da criança, os medos e temores, e até mesmo o fato de que o autor "consegue contar uma história trágica sem perder a ternura e até o humor".

Especula-se que esses textos são autobiográficos, pois JT LeRoy é um estranho autor, definido como uma figura "andrógina e perturbadora".

Porém é tudo uma farsa. JT (Jeremiah "Termiantor") LeRoy é apenas um pseudônimo da autora norte americana Laura Albert. No começo, se dizia que "LeRoy" era verdadeiro e que teria sofrido vários abusos quando criança e adolescente. Até que o jornal "The New York Times" revelou que LeRoy era uma farsa criada pela escritora frustrada, e que ele era na verdade uma modelo/atriz chamada Savannah Knoop, que é meia-irmã do marido de Laura Albert. Geoffrey Knoop - marido da escritora - afirmou em uma entrevista que LeRoy era mesmo uma personagem, e que Laura era a única autora dos livros com esse pseudônimo.

Mas em minha opinião, essa confusão toda só faz o livro ainda mais interessante. Vemos na
história uma criança que é obrigada a largar a segurança dos pais adotivos que davam carinho e atenção, para ir nas mãos de uma prostituta que o espanca, o ensina a roubar e a se vender, que infelizmente é a verdadeira mãe. Você percebe como a mãe ensina a criança a temer os policiais, os "homens maus", e com isso o garoto, Jeremiah, acha que a única pessoa que poderá salvá-lo é Sarah, a mãe.

Vemos também o começo do sadomazoquismo em uma criança. Quando ele vai morar com os avós, ele percebe que apanhando talvez se livre dos pecados... Enfim, um livro perturbador, que mostra como a vida pode ser cruel, e tenta o resgate da inocência e da ternura no horror dos homens de hoje em dia. Vale a pena ler e refletir.